domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aves austrais

Meu jipe cruza o Parque Nacional Torres del Paine
em foto inspirada de Renato Gama.
fevereiro de 2006
 Passarazzi: Ave patagônia!

Ñandú  Rhea americana,  na Ruta 40,  nos contrafortes
da cordilheira – Argentina.

Nem só de pássaros vive o homem então entre minhas outras paixões estão os Jipes Bandeirantes (Modelo de Toyota Landcruiser exclusivo do Brasil - com motor 608D de caminhão leve da Mercedes Benz) e também as cordilheiras e as imensidões patagônicas, outra paixão antiga.

Juntando tudo isso, em janeiro de 2006 eu e o fotógrafo Renato Gama nos convencemos a levar os nossos dois jipes para passear na Patagônia (O meu modelo 1977 e o dele 1987).




Colhereiros Platalea ajaja, no parque
do Taim, RS – Brasil.
 “dos coches, dos personas” dizíamos sempre aos incrédulos guardas de fronteira dos países “hermanos”. Eles não entendiam porque íamos em dois veículos e o que dois brasileiros estariam fazendo aqui nessa estepe passando frio quando o sonho de qualquer argentino seria estar de férias na paradisíaca Ilha de Santa Catarina no Brasil de onde havíamos saído.

Próximo a Ushuaia, Argentina.
Na verdade, cada um estava realizando seu sonho e dormindo no próprio veículo, além do mais, quando se parte para fazer uma trilha sempre se vai em mais de um jipe com rádio, pois um socorre o outro em qualquer situação (Especialmente quando a intenção era dar a volta na região conhecida como Patagônia e que abrange grande parte quase deserta do Chile e da Argentina).



Cisne cuelo negro Cygnus melancoryphus, 
estreito de Magalhães, Pto. Natales, Chile.

 Cada fotógrafo no seu jipe e o mundão rolando debaixo do assento do motorista, o Passarazzi que guiava o meu jipe focou mais nos pássaros, mas foi impossível não capitular ante a fotogenia da paisagem naquele ar limpíssimo. E assim registrei todos os pássaros de “uma” das páginas do “Guia para La identificacion de las AVES de Argentina e Uruguay” de Narosky & Yzurieta, para mim é como completar a página de um álbum de figurinhas da infância (não sei se existiu isso na Itália). Completei aquela página  porque o Coscoroba eu já tinha registrado em uma viagem anterior com uma Nikon F2. 


Carranca Chloephaga hybrida,
o macho é o branco, San Gregório, Chile.

A Patagônia possui muitas aves costeiras e até aquáticas como os Pingüins–de-magalhães ou patagônicos, mas muitíssimas também nas suas planícies florestas e desertos, como nas cordilheiras ocorre o famoso  Condor símbolo dos Andes que infelizmente só avistei uma vez de relance,  muito longe, numa outra viagem.



Cauquén comun
Chloephaga picta,
no Parque Nacional
Torres del Paine, Chile
 


Catedrales de Mármol (Catedrais de Mármore),
 Lago General. Carreras, carretera austral, Chile
  Mas na viagem de 2006, pela primeira vez com o equipamento digital e a tele 400 mm fixa, fiz muitas fotos de aves. Começou ainda no Brasil na reserva do Taim que fica antes da cidade de Chuí extremo sul do país onde  encontrei muitas aves especialmente os Colhereiros (Roseate Spoonbill),  depois, passando por Montevidéo e Buenos Aires, ao descer ainda mais a  Ruta 3, apareceram os pingüins e as focas da Península Valdés e bem mais  para baixo (paralelo 54) os cormorans e gaivotas do porto de Ushuaia.
No indescritível Parque Nacional Torres del Paine, no Chile, ao lado da estrada cada laguinho era repleto de patos, marrecos e assemelhados como o Cauquén-comum com suas crias e até um papagaio verde apareceu naquele frio. Na beira do Estreito de Magalhães encontrei um outro tipo de Cauquén chamado Carranca, na enseada de Puerto Natales, vários  Cisne-de-pescoço-preto forrageavam em bando. Já na volta na estepe da ruta 40 encontrei, além dos guanacos, umas emas  que lá se chamam Ñandú, algumas curicacas e até alguns pardais (sparows).

Para voltar ao Brasil, subimos então a carretera austral chilena, que é a estrada paralela a Ruta 40 argentina só que do outro lado dos Andes. Nessa  estrada a maioria das fotos foi das paisagens admiráveis de vales, lagos, fiordes e outras surpresas da natureza (as Catedrais de Mármore), não pela inexistência de aves no extremo sul do Chile, mas porque o nosso ritmo na volta não permitiu muitos encontros com as aves do local.

Enfim viajar é sempre bom, e quando é de jipe e é possível encontrar alguns
pássaros para fotografar pelo caminho: convidem-me!



Neno Brazil
Ilha de Santa Catarina
fevereiro  2010
Mais algumas fotos da trip patagônica de 2006:

Neno Brazil experimenta gelo milenar no Parque Nacional Torres del Paine, Chile.  foto Renato Gama
 
Pingüim Patagônico Spheniscus magellanicus, na costa leste da Península Valdés, Argentina.

Gaivota Cangrejera Larus atlanticus, no porto de Ushuaia, Argentina.

O Pato overo e sua prole Anas sibilatrix,  no estreito de Magalhães, Puerto Natales, Chile

Bandurilla austral  Theristicus melanopis, na Ruta 40 fronteira com o Chile, Argentina.


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